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Família Pozzebon
A viagem de Giovanni Pozzebon













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Os caminhos e as dificuldades por que passaram Giovanni Pozzebon e sua família não foram diferentes das descritas por Andrea. Giavera é bastante próxima de Carpenedo, a aldeia natal de Andrea Pozzobon. O trajeto de trem provavelmente foi o mesmo, assim como o tempo dispendido.
Nesse tempo, Giavera era uma "frazione" do município de Arcade, do distrito de Montebelluna, da Província de Treviso.
No passaporte encontramos a informação que o contrato para a imigração foi assinado em 02/03/1888.
Na Itália, naquela época, assim como hoje, para mudança de domicílio é necessária uma comunicação formal às autoridades. Giovanni o fez em 16/08/1888, em Arcade. Nele estão relacionados Giovanni, sua esposa Felicitá, os filhos Luigi, Amábile, Candida e Piero, e Paschoa, sua mãe, já viúva. Providenciou o certificado de vacinação, obrigatório, também em Arcade. Este, infelizmente, sem data.
O passaporte foi emitido em 20/09/1888, na cidade de Treviso. Esse passaporte recebeu um carimbo, na parte de trás, da Sociedade Promotora de Imigração de São Paulo. Foi provavelmente no dia 10/10/1888, quando lhe foi indicado o vapor (Carlo R), o número de ordem, e o número de chamada. Estaria já em Gênova? Provavelmente, pois nessa época já existia uma filial da Sociedade Promotora de Imigração naquela cidade, aberta em 1887.
Mas certamente estava no dia 19/10/1888, quando recebeu o visto do Consulado Geral do Império do Brasil em Gênova no passaporte e na comunicação de mudança de domicílio.
Existem numerosas fontes de referência para se obter informações sobre as companhias de navegação e os navios que fizeram o transporte de imigrantes, não só para o Brasil, mas para todo o mundo. As companhias mais importantes no transporte para o Brasil eram: La Veloce, Navigazione Generale Italiana, Ligure Brasiliana, Lavarello, Navigazione Italo-Brasiliana, Lloyd Italiano e Royal Mail. Principalmente na Internet, há diversas páginas e sites dedicados aos navios que trouxeram os imigrantes para a América, muitos deles com fotos. Não consegui qualquer informação sobre o Carlo R. No livro Do outro lado do Atlântico (1) há referência a um artigo, publicado numa revista especializada em imigração, tratando de acontecimentos nefastos no navio Carlo Raggio, quando 18 passageiros morreram de fome em sua viagem para o Brasil, iniciada em Gênova, a 18 de Dezembro de 1888. Não foi esta a viagem de Giovanni, mas terá sido o mesmo navio? O tempo entre a viagem de Giovanni e o retorno do navio ao Brasil não elimina esta possibilidade (considerando as datas, o navio poderia estar de volta a Gênova no início de Dezembro, para então, empreender esta outra viagem). Numa outra ocasião, neste mesmo navio, morreram 200 pessoas de cólera (água ou comida contaminada) e as autoridades brasileiras não permitiram que os sobreviventes desembarcassem, ordenando que o navio voltasse para a Itália. (2)
Ao desembarcar no Brasil, o passaporte de Giovanni recebeu novos carimbos: o da Polícia do Porto de Santos, no dia 10/11/1888; o da Sociedade Promotora da Imigração, que lhe pagou a indenização de passagem no dia 11/11/1888 e da Inspetoria Geral da Imigração, já em São Paulo, no dia 12/11/1888.
A análise destes documentos nos revela pelo menos duas inverdades: Giovanni não era agricultor (contadino). Histórias contadas por seus filhos nos informam que ele tivera imensa dificuldade em se adaptar a agricultura, e que não sabia nem pegar numa enxada; a segunda, não era analfabeto, pois foi ele quem ensinou os filhos a ler e escrever.
Segundo a história verbal da família, Giovanni era sapateiro, sacristão e encarregado do côro da igreja em Giavera.
Assim, se o governo pagava a viagem quase exclusivamente a agricultores, os agentes recrutavam qualquer um .... (3) Isso explica a condição declarada de contadino.
Em São Paulo ficaram na nova Hospedaria dos Imigrantes, inaugurada um ano antes, no bairro do Brás. Ali eram acertados os detalhes finais: para onde ia o imigrante e sua família. Nesse local existem registros preciosos sobre a imigração. Nesses registros descobre-se que vieram para Amparo, trabalhar na fazenda Barreiro; na realidade várias fazendas próximas, administradas pela família Pastana.


1- Angelo Trento - Do outro lado do Atlântico. Editora Nobel, 1989. São Paulo. pág. 45
2- Missori, M. - Le condizione degli emigranti alla fine del XIX secolo in alcuni documenti delle autoritá maritime. Affari Sociali Internazionali, 1 (3): 97 98, 1937.
3- Angelo Trento - Do outro lado do Atlântico. Editora Nobel, 1989. São Paulo. pág. 28

Amparo na época

Amparo na época